quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Matina

O vento diz o Outono em breve quando o rio traz as 
gaivotas que abrem a cortina da matina e as gentes 
nocturnas acamam vícios e novo turno sucede e há
Os rostos do mercado com verduras, frutas e flores.
Há de vir o pescado um pouco mais tarde. A Lisboa 
Do Cesário tem do seu Verde nome jardim ali quase 
Ao lado onde o café pretextuará o cigarro e primas 
Palavras ensonadas se levantam antes de quem as 
Diz. Esta cidade que amanhece, canta o poema do 
Sérgio, fez-me feliz quando beijo meu doce Pai rio!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ao fim

Ao abraçar meu fim 

Como possibilidade 

De começos, soube 

Que me nascia para 

Esta gozosa alegria. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

Alecrim

Amor, meu amor, oh meu tão grande amor, eu vim desse outro sentido não foras tu, uma vez mais, a dares-me o travor do alecrim d'alegria. Deixai-me agora dar-te eu a minha à tua, essa mesma mão que tu quiseste fosse minha para que não mais eu perder-me nessoutro infindo lugar onde não moro! 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

domingo, 18 de setembro de 2016

Crónica II

Uma cicatriz. Como se uma porta entreaberta 

Discretamente se fechasse, deixando presa a 

Peça de roupa da véspera dum corpo d'amor

Que desaconteceu e paira procurando outro 

Lugar. O ombro superfície lunar e a sua mão 

Plumitiva dizendo murmúrios na longa costa 

Da tua pele; uma crónica que escorre que se

Espraia em vontade e rumo próprio o para lá

Das minhas mãos que desembarcam no que 

Viajam. Restituição? Ah não Nunca o mesmo

 Lugar, tão-pouco o olhar. O dique represa as 

Águas; mas, uma vez libertas, tudo apagam!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

Crónica

O silêncio aguarda a fala

No céu, azulando a noite 

Há o prenúncio das aves 

Nos lugares mais altos e

Os galos de quintais dão 

As horas matinais. Junto 

Ao rio, daqui uma nesga

Escrevi a crónica da paz

Que sinto pelo que vejo!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Intervalo II

Agora vai parecer muito tempo 

Este instante em que olho para 

O que falta como infinito curso 

E, ainda que não saiba o modo 

Nem o tempo, é demasia tudo 

O que sinto. A linha curva fará 

Um arco de fecho; no prelúdio 

Olhar o soubesse breve assim!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

Intervalo

Entre nós interpôs-se o corpo;

Essoutro privando um do outro.





(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)