domingo, 21 de maio de 2017

[À Parte]

Quem parte, sabemos, leva a parte 

Que nos cabia a nós. Ficarmos sem 

Ti e já sem nós na parte que de nós 

Parte. Se quem reparte ficar com a 

Melhor parte, então confirma triste 

Sorte de quem fica, que apartados 

É caminho sem volta. Haja quem na 

Fé se levante quando de alcatrão se

Faz pez na voz ao chamar teu nome

Pronome quando se o diz a saudade.

Mas se também de nós em ti a parte 

Que te coube então não inteiramente 

Completa a viagem cujo fecho somos 

A peça que falta ah morreremos então 

Um amanhar ou o entardecer o mesmo 

Acontecer doutro jeito: noite e dia e dia 

E noite em seus permeios. Assim talvez

Tu também: o dia imenso na nossa noite. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)

[Meia-porta]

A intimidade é o 

Que do dentro 

Se insinua de

Si para fora.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)

[Filiação]

A sombra é pura 

Instância do Sol. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)

[O Cisne]

Faz tarde a alegria que ignoras

A queimadura do sol que aflora 

É Setembro no teu mar recordo 

Era sul onde me fui lá buscar-te

E fomos de fim nadar abraçados. 




(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)


quinta-feira, 18 de maio de 2017

[Intitulado]

Queriam ver naquela tristeza toda de que 

Falava uma Pangeia por tão imensamente 

Escrita. Quando em verdade é um eco do 

Mesmo emitido som da voz. Um arauto, o 

Promontório donde essa terra uma se vê

Repartida (como o pão que todos saciou) 

Por mundos vários do mundo só. Do mais 

Alto ponto ainda divisar que não fosse tal 

Tristeza relevo jamais perceberia que tão

Pequena é no desigual tamanho d'alegria.

Que me importa a sentinela se a ela devo 

A desatenção com que ando na rua. Vida 

Vejo-a profusa de desmedida nas ínfimas 

Coisas. Mas quem até ela lhe leva a água 

Dessa mesma sede que nos faz bebê-la?

Cada um seu jeito; o meu é assim. Se por 

Cada lágrima (chorada ou não) um sorrir

Meu, faço aquilo que ela silente me está 

A pedir. Quem pode ver por mais barcos 

Que andem a navegar capazes inda que 

Todos juntos de cobrir o imenso do mar?

Não por acaso as escritas letras de tinta 

São sempre menores que o papel, como

No céu o é menor-maior o voo das aves.

A costura dá a junta tal como a margem 

O rio. Igual com a alegria que no inverso 

Proporcional em tristeza se permite ser!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)

quinta-feira, 11 de maio de 2017

[inteireza]

O sonho é na inteira 

Possibilidade o real.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)

terça-feira, 9 de maio de 2017

[O dia nono]

Quem julga ver na saudade o

Passado a si mesmo engana

Esse futuro já sem verdade.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)