Não digas nada...
Uma única palavra
Fazei-a aguardada
Ainda não teu beijo
Deixá-lo ser desejo
Não já a madrugada
Que se retarde como
A onda que se acima
Ao próprio mar o seu
Instante desfecho ser
Longuíssima felicidade.
Não digas nada...
Uma única palavra
Fazei-a aguardada
Ainda não teu beijo
Deixá-lo ser desejo
Não já a madrugada
Que se retarde como
A onda que se acima
Ao próprio mar o seu
Instante desfecho ser
Longuíssima felicidade.
Se imaginar possa uma fonte
Como repetido começo, posso,
Do mesmo modo, imaginar num
Corpo que se alonga mãos em flor
No que a encima de cor seus olhos,
Que desce aos pés, raiz do chão que
O alimenta dessa mesma água fresca.
What I want is to find my place
Breathe the air and feel the sun
on my children's face
That's what I want
I go round and round just like a circle
I can see a clearer picture
When I touch the ground I come full circle
To my place and I am home, I am home.
['Easy Ride', M. Ciccone]
Na cidade nasci; nela nasceu
A minha dispersiva inquietação;
E o meu tumultuoso coração
Tem o pulsar caótico do seu.
A! Quem me dera, em vez de gasolina,
O cheiro da terra húmida, a resina,
A flores do campo, a leite, a maresia!
Em vez da fria luz que me alumia,
O luar sobre o mar, em tremulina…
Divina mão compondo uma poesia.
(José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro)
Um tempo, um modo, um lugar. Não o verbo.
Sabes que sorrio! Inalterável ser seu género;
Nunca um verbo, a tantas vozes, logo tu que
Gostas de estar calado; advérbio: o amanhã
Provavelmente algures. Dois sem mais nada
Deixando para trás aqueles não convidados
Que apareceram naquela boda que jurámos
Nua em testemunho a lua que nos acendeu
Caminhos de mar, mão líquida de honor sua
Ondeia fulgentes anéis em nossos dedos, é
De prata a noite. Salva seu altar quem julga
Que perdido é pra nunca mais se encontrar.
Para os teus beijos, sensual, flori!
E amendoeira em flor, só ofereço os ramos,
Só me exalto e sou linda para ti!
[A Tua Voz de Primavera' Florbela Espanca]
Livre não sou, mas quero a liberdade.
Trago-a dentro de mim como um destino.
E vão lá desdizer o sonho do menino
Que se afogou e flutua
Entre nenúfares de serenidade
Depois de ter a lua!
['Conquista', Miguel Torga]