sexta-feira, 7 de outubro de 2016

O instante

Não digas nada...

Uma única palavra 

Fazei-a aguardada

Ainda não teu beijo 

Deixá-lo ser desejo

Não já a madrugada 

Que se retarde como

A onda que se acima 

Ao próprio mar o seu 

Instante desfecho ser

Longuíssima felicidade. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

O imaginar

Se imaginar possa uma fonte 

Como repetido começo, posso, 

Do mesmo modo, imaginar num 

Corpo que se alonga mãos em flor

No que a encima de cor seus olhos, 

Que desce aos pés, raiz do chão que

O alimenta dessa mesma água fresca.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

Easy Ride

What I want is to find my place

Breathe the air and feel the sun 

on my children's face

That's what I want

I go round and round just like a circle

I can see a clearer picture

When I touch the ground I come full circle

To my place and I am home, I am home.

['Easy Ride', M. Ciccone]



(c) Filipe M. | fotografia (2016)

Em vez...

Na cidade nasci; nela nasceu

A minha dispersiva inquietação;

E o meu tumultuoso coração

Tem o pulsar caótico do seu. 

A! Quem me dera, em vez de gasolina,

O cheiro da terra húmida, a resina,

A flores do campo, a leite, a maresia! 

Em vez da fria luz que me alumia,

O luar sobre o mar, em tremulina…

Divina mão compondo uma poesia.

(José Carlos Queiroz Nunes Ribeiro)



(c) Filipe M. | fotografia (2016)

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Um tempo, um modo, um lugar

Um tempo, um modo, um lugar. Não o verbo.

Sabes que sorrio! Inalterável ser seu género;

Nunca um verbo, a tantas vozes, logo tu que 

Gostas de estar calado; advérbio: o amanhã 

Provavelmente algures. Dois sem mais nada 

Deixando para trás aqueles não convidados 

Que apareceram naquela boda que jurámos

Nua em testemunho a lua que nos acendeu 

Caminhos de mar, mão líquida de honor sua

Ondeia fulgentes anéis em nossos dedos, é 

De prata a noite. Salva seu altar quem julga

Que perdido é pra nunca mais se encontrar. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Florbela

Para os teus beijos, sensual, flori! 

E amendoeira em flor, só ofereço os ramos, 

Só me exalto e sou linda para ti!

[A Tua Voz de Primavera' Florbela Espanca]



(c) Filipe M. | fotografia (2016)

Torga

Livre não sou, mas quero a liberdade. 

Trago-a dentro de mim como um destino. 

E vão lá desdizer o sonho do menino 

Que se afogou e flutua 

Entre nenúfares de serenidade 

Depois de ter a lua!

['Conquista', Miguel Torga]



(c) Filipe M. | fotografia (2016)