segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Ricardo Reis

Quem diz ao dia, dura! e à treva, acaba! 

E a si não diz, não digas! 

Sentinelas absurdas, vigilamos, 

Ínscios dos contendentes. 

Uns sob o frio, outros no ar brando, guardam 

O posto e a insciência sua

 ['Odes', Ricardo Reis]



Filipe M. | fotografia (2016)

Por tuas mãos

Ah o mundo! Por inteiro

Por tuas mãos o soube.

Afagos e ventos do céu, 

Em meu rosto defronte 

Ao teu pausa a saudade. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

Cicatriz

Uma cicatriz. Como se uma porta entreaberta

Discretamente se fechasse, deixando presa a 

Peça de roupa da véspera dum corpo d'amor

Que desaconteceu e paira procurando outro 

Lugar. O ombro superfície lunar e a sua mão 

Plumitiva dizendo murmúrios na longa costa 

Da tua pele; uma crónica que escorre que se

Espraia em vontade e rumo próprio o para lá

Das minhas mãos que desembarcam no que 

Viajam. Restituição? Ah não Nunca o mesmo 

Lugar, tão-pouco o olhar. O dique represa as 

Águas; mas, uma vez libertas, tudo apagam!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

O abraço

Naquela noite perdida perguntavas a tua razão 

De ser. Não soube, nem saberei responder-te!

Vivente não. Talvez depois do depois. Hoje no

Hausto duma queda que por medo metaforizo

Percebi que quem ama agarra o seu elo olhar 

Ao olhar do ser amado. O corpo magoado cai

Mas a força dum exército de mil braços tem a

Amarra do olhar que se confia noutro. Razão? 

O teu olhar ante um pai cuja queda abraçaste. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

Evocação

A boca fermenta evoque-se nossa morte 

Morramos a sul morramos no mar ao sul.

Não há nada ninguém p'ra lá do mar azul.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

Hidden heart

Find the hidden heart!




(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)


sábado, 1 de outubro de 2016

Em mãos próprias

E por nossas mãos próprias 

Palavras dão-se do silêncio 

Vindas. E estamos! Inteiros.  

Cá. Investidos; capacitados.



(c) Filipe M.| texto e fotografia (2016)