Quem diz ao dia, dura! e à treva, acaba!
E a si não diz, não digas!
Sentinelas absurdas, vigilamos,
Ínscios dos contendentes.
Uns sob o frio, outros no ar brando, guardam
O posto e a insciência sua
['Odes', Ricardo Reis]
Quem diz ao dia, dura! e à treva, acaba!
E a si não diz, não digas!
Sentinelas absurdas, vigilamos,
Ínscios dos contendentes.
Uns sob o frio, outros no ar brando, guardam
O posto e a insciência sua
['Odes', Ricardo Reis]
Ah o mundo! Por inteiro
Por tuas mãos o soube.
Afagos e ventos do céu,
Em meu rosto defronte
Ao teu pausa a saudade.
Uma cicatriz. Como se uma porta entreaberta
Discretamente se fechasse, deixando presa a
Peça de roupa da véspera dum corpo d'amor
Que desaconteceu e paira procurando outro
Lugar. O ombro superfície lunar e a sua mão
Plumitiva dizendo murmúrios na longa costa
Da tua pele; uma crónica que escorre que se
Espraia em vontade e rumo próprio o para lá
Das minhas mãos que desembarcam no que
Viajam. Restituição? Ah não Nunca o mesmo
Lugar, tão-pouco o olhar. O dique represa as
Águas; mas, uma vez libertas, tudo apagam!
Naquela noite perdida perguntavas a tua razão
De ser. Não soube, nem saberei responder-te!
Vivente não. Talvez depois do depois. Hoje no
Hausto duma queda que por medo metaforizo
Percebi que quem ama agarra o seu elo olhar
Ao olhar do ser amado. O corpo magoado cai
Mas a força dum exército de mil braços tem a
Amarra do olhar que se confia noutro. Razão?
O teu olhar ante um pai cuja queda abraçaste.
A boca fermenta evoque-se nossa morte
Morramos a sul morramos no mar ao sul.
Não há nada ninguém p'ra lá do mar azul.
E por nossas mãos próprias
Palavras dão-se do silêncio
Vindas. E estamos! Inteiros.
Cá. Investidos; capacitados.