Maria
Menina
Meu
Mel
Fui eu que do sonho
Me perdi? Ou, inteiro,
Perante ele decresci?
Não sou de mim
Nem serei daqui
Além deste mar,
Nada mais quis!
Por mais diminuta escassez ou no excesso
Incontida pletora somos os dias; o primeiro
O último os de permeio; por mais que deles
Se faça devido ou indevido uso eles passam.
Por nós dentro, assim como o mar nas areias
Que o cercam. E somos as rotinas que temos
E mais as somos quando as desfazemos. Por
Mais novo que o novo seja em anúncio prediz
O velho; este diz quem somos. Não porque se
Morra, um nada em si, mas porque de viver se
Deixou. Tão desigual é dizer sul ou dizer norte.
Por mais andado ou parado há movimento que
Se faz por si. Na maior das casas e entre estas
A mais rica há pobreza escondida, em casa de
Gente pobre e dentre estes os paupérrimos há
Improváveis alegrias. Por mais aberta que seja
A planície trago cercados, por mais prisioneiro
Vento a liberdade. Por mais que insista desisto
Por mais que desista persisto. Por mais amor o
Fim do mundo é o lugar ao lado e há o consolo
De dizer sem que saibas ou me oiças teu nome
Enquanto houver frondosas sombras de árvore
Ou a orla do mar dilo-ei até me cansar; foi tudo
Ficámos eu. E digo o teu nome e ergo-o à boca
Sua altura te beijo. Ficámos eu; aí no lugar que
Vim. Ah o passado! E vai dizer à ave que ferida
Voa sangrando nos céus impossíveis matérias
Do sonho que pare! Dizei tu como este decaiu;
Não o direi; mesmo se exangue uma, são duas
As asas; essoutra inteira ainda reclamando dia.
Serás eterno
Até eu morrer
Daí por diante
Não sei dizer.
Dizer eu sei
Que aqui já
Não cabias
Nem estás!
No começo
Vives amor
O tamanho
Dum ninho
Ao crescer
Todala ave
Fita o mar,
Céus sem
Fim azuis
P'ra voar.
Naquela noite perdida perguntavas a tua razão
De ser. Não soube, nem saberei responder-te!
Vivente não. Talvez depois do depois. Hoje no
Hausto duma queda que por medo metaforizo
Percebi que quem ama agarra o seu elo olhar
Ao olhar do ser amado. O corpo magoado cai
Mas a força dum exército de mil braços tem a
Amarra do olhar que se confia noutro. Razão?
O teu olhar ante um pai cuja queda abraçaste.
Quando coubémos o dia que o tamanho da tua
mão trouxe, soube que nos fazias teu o mar que
amo para que pudéssemos chorar sem ninguém
ver e sendo assim tão teu no-lo deste para que
pudéssemos vestir e alimentar-nos para fazer a
Rota: levá-lo em paz no Amor à sua Eternidade.
[Foto: Nuno de Vasconcellos, Madeira - 2016]
O acto de escolher e ler livros será sempre teu; Lembras-te? Sentava-me no chão em frente à estante dos livros e, um por um, resumias suas histórias e eu escolhia qual ler a seguir. Depois, líamos a desoras e tínhamos fome. Madrugada Íamos à cozinha e, por minutos, falávamos das Leituras em curso; anos a fio o fizémos. Depois Partiste e deixei de conseguir ler; sentia-me só
Sem ti, ainda que sentisse saudades. Terminei
Hoje um livro, meu pai! À última página o casal
Une-se num abraço nocturno, antigo, maduro Conivente e perdoado. Não há acasos, todos
O sabemos. Estou feliz: olho o teu retrato por
Dentro dos meus olhos. Já fui àquela estante Escolher o próximo. Sei-te aqui feliz comigo e Certamente irei à cozinha se me der fome. És
O mais belo contador de histórias por isso irei Contar-te as que eu ler. Não precisas de ser o
melhor pai do mundo: é sobejo seres meu pai.
Há um livro teu, escrito por ti (a mãe mo deu a empréstimo), mas esse ainda não estou capaz
de ler! Ele dar-me-á aviso quando achar que o poderei fazer. Eu sei que entendes. Noite feliz!
Um beijo. Pipo