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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Míngua

Fui eu que do sonho 

Me perdi? Ou, inteiro,

Perante ele decresci?



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Fosse um retrato

Não sou de mim 

Nem serei daqui 

Além deste mar,

Nada mais quis!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Diário III

Por mais diminuta escassez ou no excesso 

Incontida pletora somos os dias; o primeiro 

O último os de permeio; por mais que deles 

Se faça devido ou indevido uso eles passam.

Por nós dentro, assim como o mar nas areias 

Que o cercam. E somos as rotinas que temos 

E mais as somos quando as desfazemos. Por 

Mais novo que o novo seja em anúncio prediz

O velho; este diz quem somos. Não porque se 

Morra, um nada em si, mas porque de viver se 

Deixou. Tão desigual é dizer sul ou dizer norte.

Por mais andado ou parado há movimento que 

Se faz por si. Na maior das casas e entre estas 

A mais rica há pobreza escondida, em casa de 

Gente pobre e dentre estes os paupérrimos há 

Improváveis alegrias. Por mais aberta que seja 

A planície trago cercados, por mais prisioneiro

Vento a liberdade. Por mais que insista desisto

Por mais que desista persisto. Por mais amor o

Fim do mundo é o lugar ao lado e há o consolo 

De dizer sem que saibas ou me oiças teu nome

Enquanto houver frondosas sombras de árvore

Ou a orla do mar dilo-ei até me cansar; foi tudo

Ficámos eu. E digo o teu nome e ergo-o à boca

Sua altura te beijo. Ficámos eu; aí no lugar que 

Vim. Ah o passado! E vai dizer à ave que ferida 

Voa sangrando nos céus impossíveis matérias 

Do sonho que pare! Dizei tu como este decaiu;

Não o direi; mesmo se exangue uma, são duas 

As asas; essoutra inteira ainda reclamando dia.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

domingo, 9 de outubro de 2016

Aninhar

Serás eterno

Até eu morrer

Daí por diante 

Não sei dizer.


Dizer eu sei 

Que aqui já

Não cabias

Nem estás!


No começo 

Vives amor

O tamanho

Dum ninho

Ao crescer 

Todala ave

Fita o mar,

Céus sem 

Fim azuis

P'ra voar.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

O abraço

Naquela noite perdida perguntavas a tua razão 

De ser. Não soube, nem saberei responder-te!

Vivente não. Talvez depois do depois. Hoje no

Hausto duma queda que por medo metaforizo

Percebi que quem ama agarra o seu elo olhar 

Ao olhar do ser amado. O corpo magoado cai

Mas a força dum exército de mil braços tem a

Amarra do olhar que se confia noutro. Razão? 

O teu olhar ante um pai cuja queda abraçaste. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Cabimento

Quando coubémos o dia que o tamanho da tua 

mão trouxe, soube que nos fazias teu o mar que 

amo para que pudéssemos chorar sem ninguém 

ver e sendo assim tão teu no-lo deste para que 

pudéssemos vestir e alimentar-nos para fazer a

Rota: levá-lo em paz no Amor à sua Eternidade.

[Foto: Nuno de Vasconcellos, Madeira - 2016]



(c) Filipe M. | texto (2017)

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

The Sheltering Sky, Paul Bowles

Death is always on the way, but the fact that you don't know when it will arrive seems to take away from the finiteness of life. It's that terrible precision that we hate so much. But because we don't know, we get to think of life as an inexhaustible well. Yet everything happens a certain number of times, and a very small number, really. How many more times will you remember a certain afternoon of your childhood, some afternoon that's so deeply a part of your being that you can't even conceive of your life without it? Perhaps four or five times more. Perhaps not even. How many more times will you watch the full moon rise? Perhaps twenty. And yet it all seems limitless!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

O meu segundo primeiro livro

O acto de escolher e ler livros será sempre teu; Lembras-te? Sentava-me no chão em frente à estante dos livros e, um por um, resumias suas histórias e eu escolhia qual ler a seguir. Depois, líamos a desoras e tínhamos fome. Madrugada Íamos à cozinha e, por minutos, falávamos das Leituras em curso; anos a fio o fizémos. Depois Partiste e deixei de conseguir ler; sentia-me só 

Sem ti, ainda que sentisse saudades. Terminei 

Hoje um livro, meu pai! À última página o casal 

Une-se num abraço nocturno, antigo, maduro Conivente e perdoado. Não há acasos, todos 

O sabemos. Estou feliz: olho o teu retrato por 

Dentro dos meus olhos. Já fui àquela estante Escolher o próximo. Sei-te aqui feliz comigo e Certamente irei à cozinha se me der fome. És 

O mais belo contador de histórias por isso irei Contar-te as que eu ler. Não precisas de ser o 

melhor pai do mundo: é sobejo seres meu pai. 

Há um livro teu, escrito por ti (a mãe mo deu a empréstimo), mas esse ainda não estou capaz 

de ler! Ele dar-me-á aviso quando achar que o poderei fazer. Eu sei que entendes. Noite feliz! 

Um beijo. Pipo




(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)


sábado, 23 de janeiro de 2016

O trevo de quatro folhas

Já disse que te amo? 
Já disse hoje que te amo? 
Já disse ontem que te amo? 
Já disse amanhã que te amo? 


Filipe M. | texto e imagem (2016)

domingo, 13 de dezembro de 2015

Lucidamente

A lucidez não é achar que possa estar certo; é metodicamente achar que posso estar errado. 

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Aniversário (II)

Duarte (Nuno) não sei responder às tuas palavras de hoje que me vestirão para sempre nas piores invernias, por isso dedico-te a carta que vou agora enviar ao Hélder.

"Meu pai, estou feliz porque sei que estás feliz porque o teu Pipo (não te zangues: agora quem me gosta pode chamar-me assim porque são vozes da tua voz primaz) faz anos; completa-os. São 46 que terminam! 47°, bem-vindo (tem 7, soa bem!) E gosto, fico mais perto de amar melhor, de me perdoar e de compreender melhor os outros. Pai há tanta gente a gostar de mim; eu sabia que sim: não tinha percebido era que eram tantas e tanto o seu gostar. Estava zangado quando disse que não tinha sonhos; tenho. Todos realizáveis. Porque todos pequenos de enormes que são. É por isso que as sombras são o voo da matéria: um corpo servido por asas. Chorei hoje no rio onde moras e depois percebi que rio é também um modo de rir e por isso ri e sorri. Estas pessoas de quem gostas porque me gostam disseram-me coisas lindas e vestiram o dia que temi incolor com cores que o arco-íris apenas começa. Com a idade vamos precisando de menos coisas e chegam a mim os aromas das suas essências. Da materialidade necessária à condição feliz se se viver chegam-me ecos tranquilos do horizonte de imaterialidade duma mala (com o estritamente necessário) que faço grato. Ensinaste-me que as pessoas que nos querem bem são janelas que se abrem por fora. Hoje emprestaram-me uma mansão para que as janelas fossem muitas; não para me fazerem esquecer duma tristeza que trago numa humanidade que vivo inteira mas para que a vivessem comigo. E sabes, era como se cada telefonema, cada mensagem, cada gesto, cada presença (e a tua: tão antes, tão durante, tão depois e tão depois do depois) me alijassem o peso. E estou leve e por isso pude subir ao céu para te beijar e mergulhei ao mar para te abraçar. Minha mãe: os teus olhos e os teus braços fazem par com o par dos dele. Não na vez dele mas com e por ele. Nuno, mano, sobrinha e Patita proas deste meu barco. Aos que me amam a minha gratidão pelo amor que me dão e, se possível, mais ainda, por me ensinarem a ser um mundo inacabado para que este se abra aos mundos dos mundos. Hoje sei que o grande desafio que se me coloca é o de saber receber, mais do que saber dar (Helas!) Não para me tornar vaidoso, mas para destruir, espero, a subtil arrogância de querer ser transparente. Vocês todos são os meus óculos 3D, avatares da poesia do real. Bjos & abraços para todos vós e sejam felizes de felicidade real. Pai vou-te dando notícias minhas e de todos. 
Beijinho
Pipo 
8 de Dezembro de 2015 ❤️"

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Sertão (Caetano Veloso)

A luz a paz
Da voz da voz em mim
É o amor que conduz
E traz aqui
E diz sim em nós
E não tem fim
O céu o ar
O azul do azul daqui
Desse mar desse chão (...)
Terminar se não
No coração
[Caetano Veloso, Moreno Veloso]

Filipe M. | fotografia (2015)


sábado, 17 de outubro de 2015

Diário de Bordo (IX)

Desaprendo com quem pensa ensinar-me; aprendo com quem penso ensinar. 
Quase tudo é o seu contrário. 

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

sábado, 10 de outubro de 2015

Diário de bordo (VIII)

Não me sinto só. Sozinho!? Talvez. 
É breve. Fiz amigos. Gosto deles. 
E gosto mais de mim por via deles.
Vim ao rodapé da cidade ver o rio 
Que adiante se junta ao mar ter um 
Pé d'orelha contigo. Andava aflito, 
Inquieto por não ouvir a tua voz. 
Mas fiz o que faço quando fiquei 
Triste de amor: desci à rua; entre Pessoas sou feliz. Com mãos nos 
Bolsos, dispus-me a ouvir, a ver e Recordar. Sem mágoa. A luz está 
Linda e meu pai há um ensejo; não 
Me interessa perceber do que seja Apenas senti-lo. E já oiço a tua voz. 
Eu sei! Há gente achando que sou 
Triste. No modo aceito; mas nego.
Como seria possível ser triste se 
Estás aqui, na varanda ribeirinha Ensolarada no Tejo de Outubro!

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)