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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Duma certa forma

Duma certa forma as tuas mãos aqui
E tudo um agora raso e como demora 
Atravessar a imensidão dessa palavra.
O que me sustém e me impede desta 
Planície deste Alentejo chão onde me 
Deito ao comprido do dia em gelo frio
Onde me queimo devagar deste vazio?
Onde as arestas ou o cabide dos teus 
Olhos onde me despia? No colo dizias 
E tu dizias que haveria. E não haverá!
E a adultícia é tão curta para abraçar 
Para embarcar o arco-íris da infância 
Para onde foste oh meu olhar d'amor 
Que não me vens trazer ao portão do 
Dia começado e desde logo acabado. 
Porém os pés de esperança calçados!

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Diário de Bordo

O sonho prolonga o que não permite a vida. O que é uma metade? Meio caminho ganho à casa da partida ou meio caminho perdido para a casa da chegada? Há uma metade que chora, outra que ri; uma que ficou, outra que partiu, ainda que pela inventiva, como se algo em nós recusasse, por vezes no limite do absurdo, a sua própria condição. 

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)


quarta-feira, 28 de outubro de 2015

Pelas tuas mãos

Trouxe-me nu e despido 
Inteiro em meus defeitos
És tu que me vestes das 
Virtudes do branco linho 
Que me havia esquecido.

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)


domingo, 25 de outubro de 2015

A mão

Pela repetição, a abstração;
Pela abstração, a liberdade;
Pela liberdade, a compreensão;
Pela compreensão, o amor;
Pelo amor, a aceitação.

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Entardecer

A voz que tenho cala 
Hoje mais do que diz.

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)



quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Repergunto

O que é uma escada? 
Os degraus e os seus
Materiais; repergunto:
O que é uma escada?
O que me leva em pés
Do abaixo ao acima e
Do acima ao abaixo?
Então uma escada é
Um meio contendo 
Um fim; assim to 
Digo a mim: ser 
É cumprir-me 
Até meu fim.

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Co(r)po

O beijo da pele ou
Viajar por dentro o 
Teu nome do dizer 
Longamente nome 
Como o lugar onde 
Beber da sede que 
Tenho de ser agora 
Mais do que futuro 
Por enquanto digo.
Nu lugar do corpo 
Um copo que pede 
A boca que o toca 
Libação no altar de 
Todos os prazeres. 

(c) Filipe M. | Texto e fotografia (2015)


domingo, 18 de outubro de 2015

Um pé dentro, outro fora

Nunca percebi isto:
Se fica quem passa 
Se passa quem fica.
Caminho caminhado 
Tanto o é por dentro 
Como por o andado,
Conquanto os pés e
A cabeça sejam par 
Ou ímpar de lugares 
Nunca encontrados.

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)





sábado, 17 de outubro de 2015

P'las mãos

O plano inclinado do dia 
Luz que diminui no invés 
Da soma das horas e eu 
Volto a ti sempiterno em 
Surpresa porque sei que 
Não é minha alma capaz,
Sequer por aproximação,
De entender que Alguém 
Que pode mais que nós
Te chamou e foste para 
Para tão longe onde nos 
Falha a distância e tolos 
Sonhámos que as mãos 
Eram asas da passarola,
Que juntos inventámos!
Como se fosse possível
Voarmos ao alcance da 
Altura em que te cremos 
Tudo isto para te vermos.

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

No dia em que o céu caiu

No dia em que o céu caiu 
As aves pararam de voar,
Ficaram suspensas no ar. 
No dia em que o céu caiu 
Pessoas ficaram sem azul
Onde o sonho tem o onde.
Acorreu gente de todos os 
Lugares presas inermes no 
Breu e com seus braços e 
Juntas de mãos fizeram as
Escadas de alturas verticais 
E dos seus corações cheios 
De corda içaram dos chãos 
Os Inconjuntos céus postos 
Em seus devidos lugares de 
Ser um só céu sobre todos 
Azul por igual onde sonhar 
Se possa olhar e pássaros 
Pincéis voam para o pintar.

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Anúncio

Quando o teu corpo oblíquo 
Interrompe o sol que vem da 
Manhã e a sua sombra toca 
A minha pele sei que da tua 
Boca virá o beijo Esse nado 
Na noite dos nossos corpos 
Enlaçados como dois teares 
Tecendo na véspera a roupa
Que vestiremos o dia novo. 

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)