domingo, 15 de janeiro de 2017

O ver de olhar

Os teus mundos de ver 

No silêncio nu dos olhos 

Dizem que vieste de ficar. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Quis inventar uma vida

Quis inventar essa outra vida onde 

Porventura coubesse. Na demanda

Percebi donde partia e fiz estaleiro 

Na cidade. Só depois soube que é

Na chegada de quem vinha o meu 

Devir: abraço dado ao mar inteiro!



(c) Filipe M. | fotografia e texto (2016)

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Devagar

Os teus olhos devagar 

O teu olhar traz o meu 

Com vagar acolhendo 

Amor entrado em pés

De lã, cordeiro fugido 

Do altar, tem demora 

No tempo do homem

Veloz no do coração. 

O bem-querer assim 

Não imola, desperta 

Flor invés da degola.

O ver-te acordar eu 

Não supus a nudez 

Desta manhã o teu 

Olhar azul imenso 

Um recreio a pele 

Onde passeio no

Sonho de ver-te

Eterno no breve. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Como uma luva!

Pedi emprestada felicidade 

Da vestir por um dia e logo 

A devolver outro chegasse 

Seguinte. Nem larga, nem 

Justa com atino a medida 

A luva equilíbrio de pelica 

Me servia como se à mão 

Irmã gémea como nem a 

Outra ser assim tão igual. 

Se ao despi-la reganho o 

Esquecido frio, tormento 

Maior ficar com indevido 

De não me pertencer um 

Gesto maior eu encolher. 

Assim cumpri meu dever

E do frio se fez tamanho

Calor que dele me vesti!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Era uma vez

Uma vez, fazendo amor perguntado foi porque 

Chorava; disse ele (ou:, tu a mim) porque se me 

Adentra tanto Belo que o meu corpo em seu eu 

Noutro se dilata, se adianta e se desmultiplica!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Só podias ser

É estranho; sei que não estás.

Sei que não podes estar aqui

E no entanto sem que te veja 

Sei que te vou encontrar aqui

Não é tão estranho assim; há

Nisto uma porta e eu vou sou 

Dos que vai a medo o medo é

A minha valentia sei que eras 

Eras pois só podias ser. Sorri.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O Querer

Saí porque queria chegar.

O olhar vai mais longe que 

Os pés, a imaginação mais 

Longe que o olhar, o sonho 

Mais longe que o imaginário

O mundo tem tantos lugares

Os lugares não são sítios são

Tendas dum circo que se traz

Dentro e onde chegas montas

Os teus sonhos muito além da 

Terra onde ergues alto trapézio

Do risco riso audácia de voares.

Não há mais além nem mágicos 

Reinos. Há sim o prodígio de ser.

Asas que nascem se tu quiseres!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)