Os teus mundos de ver
No silêncio nu dos olhos
Dizem que vieste de ficar.
Os teus mundos de ver
No silêncio nu dos olhos
Dizem que vieste de ficar.
Quis inventar essa outra vida onde
Porventura coubesse. Na demanda
Percebi donde partia e fiz estaleiro
Na cidade. Só depois soube que é
Na chegada de quem vinha o meu
Devir: abraço dado ao mar inteiro!
Os teus olhos devagar
O teu olhar traz o meu
Com vagar acolhendo
Amor entrado em pés
De lã, cordeiro fugido
Do altar, tem demora
No tempo do homem
Veloz no do coração.
O bem-querer assim
Não imola, desperta
Flor invés da degola.
O ver-te acordar eu
Não supus a nudez
Desta manhã o teu
Olhar azul imenso
Um recreio a pele
Onde passeio no
Sonho de ver-te
Eterno no breve.
Pedi emprestada felicidade
Da vestir por um dia e logo
A devolver outro chegasse
Seguinte. Nem larga, nem
Justa com atino a medida
A luva equilíbrio de pelica
Me servia como se à mão
Irmã gémea como nem a
Outra ser assim tão igual.
Se ao despi-la reganho o
Esquecido frio, tormento
Maior ficar com indevido
De não me pertencer um
Gesto maior eu encolher.
Assim cumpri meu dever
E do frio se fez tamanho
Calor que dele me vesti!
Uma vez, fazendo amor perguntado foi porque
Chorava; disse ele (ou:, tu a mim) porque se me
Adentra tanto Belo que o meu corpo em seu eu
Noutro se dilata, se adianta e se desmultiplica!
É estranho; sei que não estás.
Sei que não podes estar aqui
E no entanto sem que te veja
Sei que te vou encontrar aqui
Não é tão estranho assim; há
Nisto uma porta e eu vou sou
Dos que vai a medo o medo é
A minha valentia sei que eras
Eras pois só podias ser. Sorri.
Saí porque queria chegar.
O olhar vai mais longe que
Os pés, a imaginação mais
Longe que o olhar, o sonho
Mais longe que o imaginário
O mundo tem tantos lugares
Os lugares não são sítios são
Tendas dum circo que se traz
Dentro e onde chegas montas
Os teus sonhos muito além da
Terra onde ergues alto trapézio
Do risco riso audácia de voares.
Não há mais além nem mágicos
Reinos. Há sim o prodígio de ser.
Asas que nascem se tu quiseres!