Fui eu que do sonho
Me perdi? Ou, inteiro,
Perante ele decresci?
Fui eu que do sonho
Me perdi? Ou, inteiro,
Perante ele decresci?
Não sou de mim
Nem serei daqui
Além deste mar,
Nada mais quis!
Inevitável; inevitavelmente dou por mim
Lá. Algo no lugar da vontade. Conduzido
De olhos vendados e essa mesma oculta
Mão deslaça: lá, o terreiro onde tanto eu,
Tantos sucessivos eus, inícios inacabados.
Como se um remoinho, um motor dentro,
Impedisse a água que poderia ter sido o
Meu próprio rio para que me acabasse.
Que pena! Tantos fins sem começos.
Inda assim, traços, sopros do vento
Belo, passam e olho-me infindo...
Quando digo meu amor
Tu enunciado denúncio.
Não por tê-lo por certo
Incerto diz-se amanhã!
Mas porque invocar-te
A voz meu breu aclara
Vendo-te tangível dou
Um passo adiante no
Que retive; enquanto
Ficármos abraçados
Em afeição perdure.
Se, no lugar de dizer como deveria ser,
Visse desprendidamente como é; se me
Permitisse ver seu ser ser tão simples, se
Deixasse que sua razão de ser chegasse
A mim, tal como o aroma do café adianta
Seu travor, talvez me apercebesse que é
Inteiramente certo o seu jeito de ser p'ra
Que, a tempo, meu desacerto corrigisse.