quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Míngua

Fui eu que do sonho 

Me perdi? Ou, inteiro,

Perante ele decresci?



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Consolo

É tanta a fala

Que me assola

Haja no silêncio

O que se cala!



Filipe M. | texto e fotografia (2016)

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Fosse um retrato

Não sou de mim 

Nem serei daqui 

Além deste mar,

Nada mais quis!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

domingo, 6 de novembro de 2016

Inevitabilidade

Inevitável; inevitavelmente dou por mim 

Lá. Algo no lugar da vontade. Conduzido

De olhos vendados e essa mesma oculta 

Mão deslaça: lá, o terreiro onde tanto eu,

Tantos sucessivos eus, inícios inacabados. 

Como se um remoinho, um motor dentro, 

Impedisse a água que poderia ter sido o

Meu próprio rio para que me acabasse. 

Que pena! Tantos fins sem começos.

Inda assim, traços, sopros do vento

Belo, passam e olho-me infindo...



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Quando digo meu amor

Quando digo meu amor

Tu enunciado denúncio.

Não por tê-lo por certo 

Incerto diz-se amanhã!

Mas porque invocar-te

A voz meu breu aclara 

Vendo-te tangível dou 

Um passo adiante no 

Que retive; enquanto 

Ficármos abraçados

Em afeição perdure. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Doca

Boca, seus lábios 

Inícios de viagem.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)



quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O ser-se

Se, no lugar de dizer como deveria ser,

Visse desprendidamente como é; se me

Permitisse ver seu ser ser tão simples, se 

Deixasse que sua razão de ser chegasse 

A mim, tal como o aroma do café adianta 

Seu travor, talvez me apercebesse que é 

Inteiramente certo o seu jeito de ser p'ra

Que, a tempo, meu desacerto corrigisse.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)