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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

A boca do beijo

A simetria dos olhos como pretexto da boca; a boca o beijo e a boca afinando a simetria dos olhos.

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2014)


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

E depois do amor?

Há uma nudez própria no que se veste. O dizermo-nos duas vezes; o haver um 'por último', coisa outra que não um lugar primeiro. 
O sermos contáveis. 
Os corpos: segredam, fundem-se e refundam-se num bazar de bocas, mãos e olhos; são cordas instrumentais que produzem sons do clamor do amor.
E a jornada é por dentro, onde caminhos estreitos conduzem a largos sítios, e, como em tudo na vida, o seu inverso: larguezas que se estreitam. 
E na boca a pergunta: 
E depois do amor? 
Digo: sou, em certa medida, o teu nome. 
Restou-me a palavra em teu nome. 
Depois do amor o amor é um nome.
Sou o teu nome.
Nem alegre,
Nem triste.
Respiração.

(c) Filipe M. | Texto e fotografia: Funchal, [2014]. 


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Praia-amar

Desse vazio; de ausência; de vagar; calcinados descaminhos (em redor). Cintura de dias urbanos ou muralhas para que não dilatam. 
Dias obsidiantes. 
Poucos já muitos nem por isso não sei. 
Há um lugar vago.
Dizem-me coisas 
muitas coisas e não sei se oiço não sei se compreendo não sei se sei 
E que me digo que me oiço
Escorrego no teu rosto perco o teu rosto perco o teu rasto 
Há um lugar vago
E ainda há dias assim; assim como? Com corpo com cheiro com farrapos de palavras desenhadas à mão levantada. Não sei o que são ou ainda por serem ou já não serem dias nem eu nem tu
Há um lugar vago
Digam-me tudo que ouvidos generosos os meus tudo ouvem calo tudo porque a boca perde para o par. 
Queimam esses dias estes dias os dias do porvir mas que venham e ardam na pira 
Há um lugar vago
Devagar vagou
De vago a vaga que por sobre a praia-mar findou...

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2014). 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Amarelo (I)

"amar é um elo

entre o azul

e o amarelo"

Paulo Leminski


(c) Filipe de Macedo | fotografia: Madeira, 2014.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Do(s) amor(es)

"Maria gosta de José e este dela, por igual.
Maria e José gostam de Maria e José, seus filhos.
Maria e José gostam de Maria e José, seus pais.
Maria e José, irmãos, também se gostam entre si.
Maria, José, Maria e José são uma Família Feliz.
Maria gosta de Maria e esta daquela, por igual.
Maria e Maria gostam de Maria e José, seus filhos.
Maria e José gostam de Maria e Maria, seus pais.
Maria e José, irmãos, também se gostam entre si. 
Maria, Maria, Maria e José são uma Família Feliz.
José gosta de José e este daquele, por igual.
José e José gostam de Maria e José, seus filhos.
Maria e José, irmãos, também se gostam entre si.
José, José, Maria e José são uma Família Feliz. 
Eu sou o Luís, mas sou qualquer uma das Marias;
eu sou o Luís, mas sou qualquer um dos Josés.
Tenho família eu sou Feliz."
FM

(c) Filipe de Macedo | Fotografia: Lisboa, 2015. 


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Aceso.

Acendam os sóis; 
acendam as velas dos barcos e todas as lâmpadas que tem o sonhar; 
acendam os dias e suas noites pares; acendam as cores e os olhares; acendam os corpos com os lábios das mãos; 
acendam o amor em camas de mar; acendam a alegria porque nos faz rir; acendam-se para quem por bem vier; acendam-se ao que está por vir; acendam os mortos que nos vivem; acendam os vivos porque nos adiam a morte; 
acedam as flores porque calam a dor; acedam todas as palavras inaugurais; acedam os poemas e os seus infinitos céus; 
acendam as lágrimas e o espanto por tudo o que há de Maior em nós; acendam gestos redentores; 
acendam o prazer que foi prenda de Deus; 
acendam paz porque é caminho; acedam a Vida! 
Hoje é apenas o fim dum ontem; 
amanhã é apenas o fim dum hoje; 
depois de todos os amanhãs é apenas um princípio de eternidade ou do amor as primícias. 

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2014).