sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Esse lugar

Ah um beijo 
Um beijo teu 
No casal que 
Roubado deu. 
Como se fosse 
Seu lugar o meu. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

domingo, 7 de agosto de 2016

Ary dos Santos

Meu cavalo imenso e louco a galopar 
na distância entre o muito e entre o 
pouco que que me afasta da infância.

[Sete Letras, Carlos Ary dos Santos]



(c) Filipe M. | fotografia (2016)

Ahmad Shamlou

Eles cheiram-te o hálito 
Para o caso de teres dito "Amo-te"
Eles cheiram-te o coração
Estes são tempos estranhos, meu amor 
Aquele que bate à porta à meia-noite 
Veio para matar a luz 
É melhor escondemos a luz no armário 

Ahmad Shamlou 
[poeta iraniano] 


(c) Filipe M. | fotografia (2016)

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Vezes

Umas vezes quero 
Lembrar-me do teu 
Rosto e não consigo
Outras vezes quero 
esquecer-me do teu
Rosto e não consigo. 
Ambos vão comigo.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Animalia


Filipe M. | fotografias (2016)


Devagar

É um lugar vago a meu lado
Ao meu lado a vaga levou o
Outro lado. É, o lugar vagou 
Ao meu lado ninguém ficou.
Lugar que ninguém ocupou
Quem foi e quem vem sabe 
Onde estou! Mas, por estar 
Ocupado neste onde estou 
Não sei bem quem chegou;
Onde fui sou eu este vazio!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Delicadeza

Havia um silêncio delicado como uma taça 
O teu pescoço quase alto, quase de gato a 
Ver mais alto a manhã alongar-se em luz o
Soalho sob a cama sob o teu corpo, o Belo
A boca diz muda que há amor fulvo chama
O olhar que se acende no fósforo o cigarro
As tuas mãos poisando-o devagar Sobes à
Altura dos meus lábios e dá-lhes os teus e 
Ainda nu, apenas os lençóis, como não ler
O braille talvez beijos a crescerem em flor. 
Um canteiro chão que se levanta, erguido.
Quase como um arco felino ou as palavras
Que se desmacham, quase antes da vaga 
Onda do mar molhar feliz a casa de areais. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)