terça-feira, 15 de março de 2016

Pródigo

Houve sempre água
Nesta minha sede.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

domingo, 13 de março de 2016

Vagas iniciais

Porta-contentores atravessam os mares 
Imateriais com seus pesados materiais 
Gramaticais, trazendo-os à altura dos 
Meus olhos, vagas de verdes iniciais.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

sábado, 12 de março de 2016

Excepto eu

Eu disse a palavra e fiquei de 
Silêncio para ouvir o início do 
Seu som. Exactamente como 
Uma onda lambendo a costa.
E a palavra inflama o metano
Do ar e acende-se no quarto
Um pássaro ou nesta cabeça  
Mas as vogais não se abrem 
No escuro da exiguidade. Há
O espaço a pedir respiração 
Para que as asas expandam
O sentido que trazem e daí
Não inteiramente a palavra 
Diáfana de cor arrebol das 
Coisas intermédias o meio
Duma coisa e outra. Sopro
Angustiado é de asas que 
Se faz o som encurralado. 
É debaixo disto a cantiga:
Um rosário de cantos de 
Choros baixinhos duma
Dor continuamente dor
Sem nunca tão grande 
Para além disto assim. 
A palavra tem rotação 
Mas a maquinaria do 
Amanhecer retarda
O seu voo e janelas 
Há do lado de fora 
Como outroras que
Se traz na algibeira
Berlindes e abafas 
Para o jogo acaso. 
Mas preciso esta!
Vê-las não me dá 
Esta deste agora. 
Eu digo a palavra
Mas meeira não 
Me disse o hoje.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

sexta-feira, 11 de março de 2016

Filiação

A resposta é sempre 
Filha da pergunta.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016; 2014)

quinta-feira, 10 de março de 2016

Digo

O eixo do beijo tem 
Bocas de cada lado. 
Dois corpos inclinados
Convergentes desejos
Nos lábios acertados 
No entorno o abraço 
Que se dá apertado. 


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quarta-feira, 9 de março de 2016

A invenção

Na linha
Do limite 
Desenho 
Liberdade!


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

terça-feira, 8 de março de 2016

Do ver

Da fadiga aro
Que me casa
Aos dias dum
Grã tamanho 
De ver-me, mais 
Que o ser, assim 
Tão contrário ao 
Pensamento que 
Do Belo a própria
Ideia me alimenta. 


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)