sábado, 6 de fevereiro de 2016

Desenhada

A cabeça inclinando-se, procurando o ombro. 
Um gesto adivinhado - sempre novo (outro!),
O teu olhar desenhando um arco com o meu. 
Tínhamos essa porta. E foste! Cabe muito no
Pouco com que nos deparamos. Ficámos eu. 
Eu contigo, já sem ti. Um fio que puxamos da 
Camisola que vestimos e um fuso a memória 
Tecendo agasalho. A tarde aquieta-se como 
Se a manta nos crescesse pelas pernas toda 
Ela ternura, um abraço de lã e amainada essa 
Tempestade do mar-chão da saudade. Triste, 
Desenho uma janela onde me ponho para que 
Possa. Adivinhar-te chega; possa a tua mão e 
Num gesto adivinhado, sempre novo (outro!) 
Eu junto a minha. Foste e ficámos: eu contigo. 



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Instável

É no plano 
Inclinado 
Que me 
Endireito.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

A partir

Se o que vejo é parte
Tem a parte que vejo
Em imaginação seu
Acrescento. Se tudo 
Vir, desatento, cego.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A visita

O quanto de morte só a vida tem
Porque só o que vive se extingue 
Porque vida alguma a morte tem.
Nem uma e outra ninguém detém!
Por certo o d'aquém pregresso e 
O d'além muito mais d'acerto têm 
Que este meu teu tempo incerto.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Certamente

Do que de mim pensam outros
Dependo eu não inteiramente.
Assim também inteiramente 
Não dependo eu do que de 
Mim mesmo eu mesmo às
Vezes penso. Inteiramente 
Eu não acho nada e o dobro 
De nada não é inteiramente 
Metade! Mas em verdade 
Nada não o será certamente! 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

Por assim dizer

P'la janela era luz a manhã 
Por dizer este amor assim
Sorrindo que tu chegaste!


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)