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sábado, 19 de dezembro de 2015

O casaco

Um dia vi um adulto por dentro 
Todo ele miúdos encavalitados 
Escondidos no comprido dum 
Casaco que se traz vestido na 
Aparência destemida das ruas.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Por fim a chuva

No ar uma saturação de felicidade; aquele exacto momento em que o olhar nos diz que a boca reencontrará o caminho do beijo. Na hora feliz, estou certo, começará a chover. 


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

sábado, 12 de dezembro de 2015

Asar

Estas asas 
Que trago 
Sonhadas
Expandem
Tudo aquilo 
Que já não 
Cabe por 
Maior de
Infinitos 
Em mim. 


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Aniversário

Somos longe 
Mais eu de ti 
Que tu de mim 
Tens-me assim 
Tu que me vês 
Por inteiro daí 
Eu adivinho 
Invento um 
Lugar para ti 
Aqui onde 
Te guardo 
E aguardo
Dentro no 
Inacabado
Perto do 
Abraço 
Dado. 
[Pipo] 


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

Equívocos

Desdizendo a sombra 
Não aclaro a pluma da luz 
Negando o baixo
Não princípio o alto 
Ocultando o assombro 
Não amanheço o sonho 
Se não disser 'podes partir'
Nunca o amor irá chegar
Se antes não souber 
Não poderei aprender 
Se não acreditar 
Nunca com meus 
Próprios braços ser
O belo de voar acima de 
Mim para te encontrar


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

Filiação

Que lugar é este? 
Quem sou este lugar? 
Que ficou do que havia? 
Pouco importa; a resposta
É sempre filha da pergunta. 


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Beija-flor

Sempre que cair uma lágrima por ti 
Nascerá algures uma flor num jardim.

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

Breviário

Já não estás, mas estiveste. 
(Tanto tempo nesse instante)
Nada foi como dantes mas há 
Sombras de luz pelos recantos
Da casa que trouxeste; aquela 
Que deixaste para que nela me
Demorasse o tempo que quisesse. 

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

domingo, 6 de dezembro de 2015

Para onde o mar?

Era a maré alta 
À gola da água 
Onda do corpo 
Todo seu caber
Sou maré vaza 
Ao rés da água 
Corpo afogado 
No chão secado
[Para onde ido o mar?]
Sou eu que não me vejo 
Era já por mim adentro 
Toda essa água entrada; 
Sou um tanque cheio de 
Sereno contentamento.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Alvo

A boca abre a sua inteira noite 
Derrama derruba crude cru as 
Aves sem aviso ensaiam voos 
Condenados e cantam cantos 
Desalentados e pesadas asas
Pesam o peso da esperança e 
Adejam lutuosas, lustrosas no
Indevido chão e corro branco 
A sua bela dança final e beijo 
Branco o preto manto do mar.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Um tudo-nada

O nada é uma imensidão impante
Onde não cabe coisa nenhuma;
Prefiro a península do tudo, onde 
Cabem o todo, a parte e a vontade.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)