sexta-feira, 26 de maio de 2017

[Maquinário]

Se o olhar te inventasse:

Uma máquina dum fazer 

Feliz artesanal Um torno 

Numa oficina de sonhos 

Estragados Ferramentas 

D'imaginação; Pinóquios 

Com seus longos narizes 

D'algodão doce-verdade 

Sobem ao paralelo deus

Que inventou o coração 

Para podermos o amor,

Como céus pode a ave. 

Reparo a real intenção 

Não do que em ti olho

Mas o que da tristeza

De minha vida apenas

Indevida lhe imponho!



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)

quinta-feira, 25 de maio de 2017

[Retoma]

Inacabado é o certo termo 

Dum tempo que se acerta

Quando o amor recomeça. 



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)

quarta-feira, 24 de maio de 2017

[Set'Ondas]

Quando era miúdo contava sete ondas 

No mar para que mal algum pudesse a

Mim chegar e outras sete vieram anos 

Após dizer-me que parasse de chorar,

Porque inda sete viriam do teu próprio 

Mar por cada vez que me visses sorrir. 

Construí na orla uma casa d'areia para

Que em cada onda sete beijos d'amar.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)

terça-feira, 23 de maio de 2017

[Imprevisto]

Amor, teu amor

Meu amor inteiro 

Meu amor primeiro 

Esse que do inverno 

Meu sem ti primavera

Foi assim que te vi; eu 

Que julguei as estações 

Em mim terminadas são 

Por tuas mãos chegadas.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)

[da invisibilidade]

Havia uma planície em tumulto.

Não vias? Não vias! Um modo

De estar só, que ninguém via.

Havia eu, havias tu, ninguém 

Diria! Fingias tu, fingimento

Meu que não o fazia. Grito 

Mudo que já não te cabia.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)

domingo, 21 de maio de 2017

[Animalia]

Lady Mary 🐾



(c) Filipe M. | fotografia (2017)

[Percepção]

Alonga sombra o objecto

Gesto suspenso para que 

Me inteire inteiramente do 

Seu aparente movimento.



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2017)