terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A bordo dum beijo

No reflexo do espelho 
Triste não sou eu o que 
Se mostra e demonstra 
Que o ter sido foi essa 
Forma que então podia 
Não sabia da filigrana 
Dos dias cujo ouro é 
Da nua alegria dum 
Tipo de corpo que 
Se abraça no alto 
Bordo dum copo 
E boca tinto se 
Abre num beijo.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Azuis

(azuis fechados,
envergonhados;
azuis abertos;
todos dados).



(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O trajo que trago

A inacabável simplicidade 
Do mundo onde vivo por 
Empréstimo e de mim a 
Felicidade que tinha no
Modo antigo a visitar a 
Manhã d'hoje perfeita 
De nada que não peço 
Porque não precisa de 
Acréscimo: a chuva cai
E estou aqui d'amanhã 
Tanto agora que jamais 
É palavra que não digo. 
Se me chamares, fá-lo
Hoje que sou feliz sou 
Deste agora sem hora
E o onde e o quem não 
Estive nem fui não sabe 
Nunca soube este meu 
Nome que trago e trajo
Usado p'lo lado de fora. 


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Cabimento

Meio caminho 
Duplica o meu 
Próprio porque 
É nessa metade 
Que julgo dada
Que cabe toda
A distância que 
Te recebe inteiro. 


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Diário

Nunca nada mais
Quis ser que uma
Janela aberta de 
Par em par do sol 
Seu nascer diário. 


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

O outro.

Solidão não é estar 
Sozinho; é ilusão de 
O ser acompanhado. 


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Breve

Então um exercício de intimidade:
O contra-luz a vestir a brevidade 
De sermos nus contemporâneos.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2016)