domingo, 14 de junho de 2015

Fecho

Não questionei o beco
Aceitei a rua 
Percorri as avenidas
E o medo de ser feliz e triste
Quando do Amar a vogal primeira  
Desistiu dolente no mar
Respondo que perdi o medo 
Nem que seja por um triz, perdi!
E mesmo que o mar me afaste 
Nadarei o revés da praia-amar.
E está certo que o faça 
Porque é vida a vogal que, 
Tudo abrindo,
Tudo fecha.

(c) Filipe M. | fotografia e texto (2014)

sábado, 13 de junho de 2015

A dança

E quando me visitas há janelas que se fecham ao vento e apenas depois, tão depois, sei que de lado a lado de cima a baixo há traços a lâmina desenhados do ir e vir das tuas mãos obliterando o meu corpo para que não mais o mesmo. Talvez um outro, outonalmente cansado, que não este: o desse exultante verão como se dissesse branco como se dissesse braços sugerindo um outro céu. 

Filipe M. | texto e fotografia (2014)
 

sexta-feira, 12 de junho de 2015

Do tempo

Quantos 
  dias 
    têm 
      estes 
        anos? 
          Digo: 
            O de ontem 
              E o de hoje
                E o de amanhã? 

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2013)


                

quinta-feira, 11 de junho de 2015

(IV)

A alegria é a sobra da chuva.


(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

quarta-feira, 10 de junho de 2015

O Logro

Vivemos como se fossemos imortais, daí a mortalidade (diga-se: irrelevância) de palavras e de gestos; se vivêssemos a plenitude da nossa mortalidade seríamos imortais nas palavras e nos gestos. Hoje vivemos por objectivos (fins, em si); viveríamos melhor se o fizéssemos segundo princípios. E só lamentamos a morte porque vivemos impantes o logro do nosso demente jogo de pensarmos e agirmos como pequenos-deuses caprichosos, gananciosos, arrogantes e gulosos o escasso tempo que nos é emprestado e não dado. 
Esse é o grande equívoco! 

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)



segunda-feira, 8 de junho de 2015

(III)

Porque escalámos 
Todas as palavras 
Ganhámos o Silêncio 

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)

Instante

Não percebi no imediato: algo de intrinsecamente Belo tocara-me e, de alguma forma, fui parte. Como um sopro, passou por mim sem detença. Só depois logrei ter sido a asa d'um Anjo.

(c) Filipe M. | texto e fotografia (2015)